A capacidade de amar intensamente é privilégio de poucos! Solares

"Eu tenho a alegria de dizer, nessa vida eu levo prejuízo o tempo todo, mas eu me alegro em cada prejuízo que levo, porque cada vez que eu consigo amar sem interesses, cada vez que eu posso me doar para alguém é o meu coração que ganha em qualidade e humanidade!"
Pe. Fábio de Melo

sábado, abril 28, 2012

Fringe finalmente renovada...


Agora é verdade... a série FRINGE infelizmente chega a seu final. Depois de ser assombrado pelo fantasma do cancelamento por duas temporadas, FRINGE enfim, é renovada para uma 5ª temporada com 13 episódios, numa atitude muito respeitosa aos fãs da série, por parte de Kevin Reilly, Presidente da Fox, que em entrevista anterior confessou ser FRINGE motivo de orgulho e que compartilha com os fãs a sua paixão por ela. Mas que também não pode deixar de registrar os seu altos custos sem muito retorno lucrativo e audiência baixa.


O respeito com que a FOX e os criadores de FRINGE tiveram com os fãs da série é algo que merece destaque por mim e quem sabe até por toda comunidade frigeanos. Bastava apenas cancelar se assim desejasse o Presidente da FOX, motivos ele tinha de sobra. O show business requer retorno monetário e audiência, ambos não aconteciam fazia dois anos, com FRINGE e não vale aqui agora destacar os seus porquês. O fato é que a demora em anunciar o cancelamento ou renovação de FRINGE, se deveu a consideração, antes nunca vista neste ramo (pelo menos eu nunca presenciei), aos fãs da série que mesmo, nesses dois anos, vivendo com o fantasma do seu cancelamento, lutaram incansavelmente para que ela continuasse. Grandes guerreiros nós somos! Pois em nenhum momento desistimos de tentar salvar nossa série preferida, quer seja mobilizando milhões de fãs ao redor do mundo, quer seja com petições e campanhas. Conseguimos! FRINGE ganhou força com as campanhas feitas com a exibição de cada episódios da 4ª temporada pelo TWITER em tempo real e nós ganhamos merecidamente uma 5ª temporada com 13 episódios!

Nós fãs não poderíamos estar mais felizes, o cancelamento era algo inconcebível para nós, um aborto provocado por aqueles que não conseguem entender o sentido de dar a vida, FRINGE nos deu mais que vida nos deu subsídios para entendê-la, não há como interromper este processo, ele é natural. A gora de forma planejada FRINGE concluíra a sua jornada. Vale apenas ressaltar mais uma vez, para que fique claro, que mesmo com números baixos (amenizados pelo DVR e streamings), FRINGE sempre se manteve como uma produção que desperta a paixão dos fãs que ainda a seguem e dos próprios executivos da FOX e Warner. Sendo assim, parabéns para todos nós!

Somos os grandes vitoriosos desta batalha, fizemos nossa história e FRINGE entrará para ela como a série que mais lutou sem morrer na praia. Conseguimos espantar o fantasma do cancelamento, elevamos o nível da série, embora não a sua audiência, e reunimos o maior número de fãs ao redor do mundo em prol dela. Se ela fosse abortada, agora na 4ª temporada, um “plano B” havia sido elaborado para que seu final não deixasse a desejar, dois finais foram gravados para selar o seu fim. Nós também afastamos esta possibilidade, FRINGE terá 13 episódios para seguir seu curso sem nenhum plano súbito. Tenho certeza que eles serão tão surpreendentes quanto foram os 22 da 4ª temporada, com roteiros que promovam o pensar, com episódios criativos e enredados, histórias extraordinárias e inteligentes e uma mitologia de dar inveja a qualquer filme de ficção cientifica.

Para nós é um momento de alegria e tristeza ao mesmo tempo. Mais de alegria do que de tristeza, mas tristeza mesmo eu tenho daqueles que nunca vieram a conhecer a série ou que desistiram dela no meio do caminho. A vocês o meu sinto muito, pois por mais que vocês seja compelidos a ver a série agora, depois da minha explanação e já que podem baixá-la toda, nunca saberão o que sentimos e o que fizemos para que o cancelamento não acontecesse. Disso tudo nós fãs da série sabemos muito bem e é uma pena não poder vê-la mais no ar... vai fazer falta, quanto a nós fãs, estamos de alma lavada... a nossa missão foi comprida!

Agora enquanto a 5ª temporada não chega, a FOX já divulgou o vídeo com o teaser oficial da 5ª temporada de FRINGE que deixo para que todos vejam, bem como comentários sobre a decisão oficial da renovação da série. 

O produtor-executivo e co-criador da série J.J. Abrams também falou sobre a renovação: "Nós estamos muito felizes e gratos que a FOX - e nossos fãs - tenham tornado o impossível possível: 'Fringe' continuará em uma 5ª temporada que permitirá a série concluir sua história de um modo selvagem e emocionante".
Solares


sábado, março 31, 2012

Save FRINGE: Afastando o fantasma do cancelamento outra vez...



Eis-me novamente aqui novamente com a dificil missão de informar aos fãs da série FRINGE o seu possível cancelamento. Um pouco mais de um ano estavamos (nós fãs) empenhado nesta mesma missão, conseguimos manter FRINGE no ar devido a petição feita pelos fãs que rodou o mundo todo e obteve milhões de assinatura. Agora estamos de volta!

Esta circulando pelo Twiter a campanha “SAVE FRINGE”, mas como sou uma ignorante de Twiter e não possuo um, resolvi eu mesma, fazer minha campanha na intenção de trazer ao meu Blog fãs, admiradores e idecisos da série para comentários que serão enviados ao Presidente da FOX Kevin Reilly na tentativa de convencê-lo novamente da importãncia de se manter a série no ar.





O fantasma do cancelamento ronda a série FRINGE desde o último episódio da 2ª temporada, mas a crença e o empenho dos seus produtores, para que ela desse certo era tanta que o Presidente da Fox resolveu dar-lhe uma 3ª temporada. Mas o fantasma do cancelamento continuo a rondar a série e a uma 4ª temporada era incerta. Foi quando nós, fãs, admiradores e indecisos nos juntamos em uma campanha chamada “Save FRINGE”, através de uma petição assinados por todos conseguímos manter FRINGE no ar para uma 4ª temporada.Temporada essa que deram a série excelentes episódios, baixa audiêrncia e novamente um destino incerto. Sabemos que na era de um mundo globalizado o que conta são os números e FRINGE é uma série com altos custos para se manter no ar.



É óbvio que o possível cancelamento de FRINGE são, a baixa audiência e altos custos. Mas não podemos descartar que durante o seu destino incerto a a série, dentro de uma perspectiva intelectual, nos trouxe à altura dos seus gatos, uma promoção do pensar em alto potencial nos surpreendendo com episódios criativos e enredados, histórias extraordinárias e inteligentes e uma mitologia de dar inveja a qualquer filme de ficção cientifica. Ação, drama, romance, suspense, mistério são ingredientes presentes de forma efetiva e clara nesta temporada. Mas nada disso tem sido suficiente para afastar novamente o fantasma do cancelamento da série de maior potencial inteligível.



Desta vez preferir fazer uma campanhia diferente. Para os fãs e admiradores peço a ajuda nesta nova empreitada: de vocês, fãs e admiradores, peço comentários acerca da impotância da série e uma solução para seu afastamento; para os indecisos e os que ainda não viram a série, um convite. Baixem em RMVB todas as temporadas e assista. Mas assista com um novo olhar buscando um entendimento, proposto por ela e depois me conte, mas enquanto isso nos ajude a SALVAR FRINGE!


Caso queiram saber mais sobre a série FRINGE, leiam aqui no arquivo do meu Blog:
Novembro 25, 2010 - Postagem - FRINGE promove o pensar em alto potencial 2 e Por dentro de FRINGE part. 1


AJUDE-NOS!

Solares

domingo, fevereiro 12, 2012

Adeus a grande Diva...


Faleceu na noite de ontem, em minha opinião, a maior de todas as cantoras, Whitney Houston. Dona de uma das mais belas vozes, Whitney embalou a minha geração. 

A última vez que a vi foi no programa da Oprah, onde ela havia acabado de sair de uma clínica de reabilitação. Foi uma entrevista muito emocionante, ela contou tudo sobre sua submissão à droga, a violência doméstica e o momento em que decidiu dar a volta por cima. Não importa a causa da sua morte, o que me interessa dizer é que estou muito triste por ver que uma guerreira como ela sucumbiu à morte. Sentirei muita falta da sua poderosa voz!

A última música que Whitney cantou em sua reaparição no programa da Oprah foi I LOOK TO YOU, uma espécie de agradecimento a Deus por ter sobrevivido a tudo aquilo. A música é linda e vou compartilhá-la com vocês


 A letra é muito bonita.

Paz para a grande Diva! 

Solares

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

O medo que paralisa


Não há sentimento mais nobre e mais sublime que o amor. Sei que amar e ser amado são o desejo de todo ser humano, mas essa correspondência amorosa é uma aventura muito difícil e por vezes sacrificante. Quando encontramos a pessoa certa que corresponde ao nosso amor desejamos que ele nunca  acabe, que dure para sempre. O amor proporciona ao ser amado um estado de acolhimento, conforto e segurança. Mas muitas vezes o amor não acontece assim com tanta cumplicidade, às vezes dele devasta o ser que ama.

Em muitos casos o amor é unilateral, então não acontece o acolhimento, o conforto e a segurança. Acontece o avesso disso e a pessoa acometida de tais sentimentos sente a ausência daquilo que nunca teve com isso ela sofre e corre o risco de perder-se de si mesmo.

Esta é a minha história eu amei uma pessoa que nunca me correspondeu, mas apesar de saber disso a dor que sinto vem dele nunca ter dito isso com todas as letras. As palavras sempre chegaram a mim subtendidas, como ontem quando trocávamos SMS. Pensei que ele estivesse zangado comigo, pois não retornava as minhas mensagens e quando a fazia era de forma seca e de monologo. Então perguntei o que estava acontecendo, e ele me respondeu que minha mensagem chegou pela metade e que ele não havia entendi. Insisti... Perguntei por que a frieza? Ele disse que era impossível ser frio ou quente pelo MSM. Continuei insistindo foi quando ele me respondeu de forma mais contundente. Disse que não respondi por que não sabia responder as minhas perguntas. Bom foi um bate bola daqueles, mas por fim ele acabou me surpreendendo. Primeiro me disse que eu projetei nele algo que não é e nunca foi. Segundo, pediu-me desculpa por não ocupar qualquer lugar afetivo que havia reservado o que não entendi direito já que tenho sentimentos por ele. Terceiro, disse a tradicional frase odiada por todas as mulheres: “Você é muito especial para mim” e completou dizendo que não queria tornar isso sexual, pois, já sabia como ia acabar.

Resumo da Ópera: Muita coisa para ser digerida.

Mas vou tentar digerir algumas coisas que penso ser importante esclarecer. Se eu alguma vez projetei algo que você não fosse então, eu nunca te conheci de verdade. Tudo isso para mim é um ato de Covardia por falar subtendido, Covardia por não ter tido a coragem de dizer o que realmente sente ou não sente. Quando se desculpa na segunda justificativa, na verdade você queria dizer que sente por não corresponder ao que sinto novamente Covarde. E a desprezível frase “Você é muito importante para mim e que não queria tornar tudo sexual, pois sabia como tudo acabaria”, é mais um clichê da falta de imaginação dos homens e quando o que você acha que sabe o que irá acontecer é um ato pretensioso da sua parte, pois ninguém é capaz de prever o futuro, só podemos viver o presente porque ele está acontecendo agora.

Tem uma passagem no novo livro de pe. Fábio de Melo que parece muito com esse momento que vivi e gostaria de destacá-lo para você: Alfredo é um aluno de filosofia que acaba se correspondendo com Abner um ex-professor da Universidade que estuda e muito renomado. Alfredo está sofrendo de mal de amor, pois perdeu a mulher amada para um jardineiro o que ele acha um absurdo já que ele é um homem estudado e tem o dom da argumentação. Ele despreza e por vezes ridiculariza o jardineiro pela sua função, que ele, Alfredo acha desmerecedora diante da dele. Abner responde a carta de Alfredo dizendo:

“Meu caro, não queira viver este embate. É certo que perderá. A jardinagem é uma arte milenar, muito mais antiga que a Filosofia. Há uma diferença entre a Filosofia e a Jardinagem que vale a pena ressaltar. A Filosofia é o lugar da complexidade. A Jardinagem é o lugar da simplicidade. São territórios distintos. A Filosofia é o campo para as perguntas e respostas. A Jardinagem é o campo onde a vida prevalece misteriosa, mas ao mesmo tempo totalmente revelada. Por mais instigante que seja o contexto da complexidade filosófica, vez em quando a gente cansa dele. O Jardim é o lugar da contemplação, e a contemplação nada mais é que o descanso do pensamento. É por isso que de vez enquando a alma grita pela necessidade de silenciar-se.” (Pe. Fábio de Melo).

O amor, meu amor inexistente, é o confronto da contemplação mística que o outro nos desperta.

Você escolheu a soberba da Filosofia, da racionalidade. Ofereceu-me seus cestos de palavras pela metade. Enquanto que eu, filósofa que sou, silenciei minha alma gritante ao escolher o Jardim, lugar de contemplação para descansar meu pensamento. Não quero ponderar, quero correr riscos.

Portanto, no que diz respeito a você, me reconheço perdedora, reconheço que lutei para chegar ao pódio, mas infelizmente só sobrou para mim o último lugar. Mas ainda assim me sinto vitoriosa, pois imersa neste turbilhão eu pude enxergar o meu fracasso e chegou a hora de deixar você partir para sempre é melhor ficar só do que ficar ausente de mim.

Eu sinto muito mesmo e não vou usar o seu clichê, pois você não é muito especial para mim, pois todos por quem tenho afeto o são. A diferença de você para eles é que eu tirei você do profano e coloquei no altar sagrado do meu coração. Mas tá na hora de você sair e deixar esse lugar para alguém que verdadeiramente mereça.

Covardia.

Solares

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Sem planos para 2012...


Neste final de ano resolvi não fazer planos para 2012. Decidi, por experiência própria, que é chegada a hora de romper com os clichês de final de ano.

Para começar, nada de promessas que nunca consigo cumprir. Percebi que assim como na história da humanidade, não há rompimento entre o ano que finda e o que inicia, mas sim um momento de transição, onde tudo que você edificou no ano anterior, seja ele positivo ou negativo, servirá de base para o novo ano. Antes a visão que tinha do Réveillon era de total rompimento de tudo que viverá no ano passado, onde o ano que passou seria totalmente apagado e o que se inicia retomado do zero. Mas como disse um dia o sábio Chico Xavier: "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." E o rito de passagem de final deve significar para nós a possibilidade de se fazer esse novo fim.

 

Bem, depois de dois anos bem conturbados, pude evidenciar que o rito de passagem de um ano para o outro, é o mesmo que vivenciamos no nosso processo evolutivo, requer amadurecimento, paciência e compreensão. É o momento não de prometer, mas de compreender por quê? Já mencionei na postagem anterior (A filosofia por trás do Amanhecer) que as nossas escolhas também passam por esse rito e que temos de fazer escolhas com as quais possamos conviver. És o significado do Réveillon Escolhas. Quero fazer escolhas com as quais eu possa aprender e crescer se fizê-las de maneira correta, então conviver com elas não será mais tão doloroso.

É hora de sair de cena os planos padrões de final de ano para dar lugar a Esperança. Sinceramente espero que 2012 me faça uma surpresa e não faço objeções quanto a sua forma, com tanto que o aprendizado seja alcançado. Mas desejo que nas asas do que me espera no novo ano, 365 folhas em branco possam me ser ofertadas... Folhas essas que pretendo escrever diariamente no transcorrer do novo ano. Nelas, serão relatados tudo, mais tudo mesmo! Coisas boas e coisas ruins, pois em ambas sempre há o aprendizado, e edificar o novo ano nas bases daquilo que foi ruim a mim neste ano que finda, traz-me a sensação de estar mais forte... Mais madura... Mais paciente... Pronta para fazer novas escolhas com as quais possa conviver.

Se a cada dia do ano de 2012 eu receber uma folha em branco, eu poderei melhor visualizar as minhas ações, poderei aperfeiçoá-la, melhorá-la ou quem sabe vira-la, para reescrevê-la. Possibilidades! É isso que uma folha em branco nos dá, diferente de um plano listado ou transcrito no imaginário que nos revela ao final de cada ano, a infeliz ideia que fracassamos em nossos planos já que não o concretizamos totalmente. Não é esse o significado do rito de passagem entre os anos, a concretização do todo. Mas sim, o momento de transição entre eles que nos possibilita renovar e revigorar quem somos e o que fazemos, é o olhar para trás sem se envergonhar do que fizemos, é a possibilidade de fazer um novo começo com as bases que já edificamos. Escrevemos a nossa história paulatinamente, não devemos apressar o aprendizado, devemos sim, sempre estar sedento dele. Até no ato de beber água existe o aprendizado. Experimente encher a boca de água sem engoli-la enquanto alguém te diz desaforos... Exercício de paciência... Foi isso que aprendi quando enchi a minha, paciência. Claro que a paciência não está morando em mim de forma imediata, mas ela tem feito parte da minha caminhada  diariamente, tenho demorado meu olhar  nela quando exercito-a, e tenho testemunhado o quanto ela é importante. Ela nunca está só e quando se apresenta sempre traz consigo a esperança e a possibilidade ambas essenciais ao ser humano. Vou deixar que o ano que se inicia aconteça primeiro dentro de mim, como sugeriu em seu poema, um dia, Carlos Drummond de Andrade, se ela acontecer em mim, então tudo que escrever nas 365 folhas em branco que me serão dadas, revelará o curso natural da minha história e tudo que terei escolhido nesse meio tempo fará parte da minha vida, sejam elas boas ou ruins eu aprenderei conviver com elas.

Não foi só a minha turbulenta vida nesses dois anos que me proporcionou as tais folhas em branco, o meu Blog também. Talvez ele tenha sido o seu iniciador. Foi ele quem primeiramente me ensinou a escrever nas folhas.  Pois durante 365 dias (tenho o Blog desde 2006) desses 06 anos eu escrevi tudo que aconteceu em minha vida, coisas boas e coisas ruins, sem ter percebido sua intenção nesse tempo, e o interessante é que o Blog  é público, as pessoas que o visita tomam conhecimento do que você está vivendo e podem participar da sua vivência. Só agora eu percebi isso, incrível! Essa conclusão foi ficando cada vez mais clara enquanto escrevia essa despretensiosa mensagem de fim de ano para vocês, é como uma espécie de Insight. E eu estou sendo tomada, neste momento, por uma paz jamais vivenciada antes, eu só tenho a agradecer a surpresa que o ano 2011 me proporcionou, exatamente agora. E agradeço a todos vocês que vivenciaram a minha história de vida, comentando e opinando em meu Blog, tive muitas alegrais com ele, foi lá que primeiramente escrevi o texto “Por que os três mosqueteiros eram quatro?” e que depois foi publicado na revista Universo Espírita. Esse é o sentido de um Blog, por este motivo peço tanto que vocês não só visitem, mas também comentem, quando comentam meu horizonte é ampliado e não vejo somente pela minha ótica, mas também com a de vocês.

Por tudo que acabo de expor, eu opto por: Sem planos para 2012. Estou no tempo de esperas e espero pacientemente que 2012 me surpreenda, enquanto escrevo nas minhas 365 folhas em branco do meu Blog tudo que acontecerá no ano que se inicia. Espero também contar com vocês meus amigos, esse aprendizado é unilateral, eu já me abrir para essa possibilidade e você tá fazendo o que?

Desejo que o ano de 2012 reserve a vocês muitas folhas em branco e que o inesperado lhes faça uma surpresa durante os seus 365 dias.
Feliz 2012
Solares

terça-feira, dezembro 13, 2011

A filosofia por trás do Amanhecer...

Não poderia deixar de registrar aqui meus comentários acerca do novo filme da Saga Crepúsculo: Amanhecer parte 1, que estreou no dia 18/11. Como toda boa estréia, não faltaram os fãs fervorosos, filas imensas e gritos histéricos, tudo isso para prestigiar o evento mais esperado do ano: O casamento de Edward e Bella.
Eu, como boa fã e admiradora da obra literária de Stephenie Meyer, não podia deixar de comparecer ao evento, só que a minha tarefa é um pouco diferente da de vocês, é muito espinhosa, pois desde o primeiro filme senti a necessidade de registrar em meu Blog comentários críticos e curiosos acerca da obra-prima literária para a película. Como filósofa, o meu olhar ao filme não se prende somente ao romance entre os personagens, deveras enigmáticos. É muito linda a história de amor entre a mortal Bella e o imortal Edward, mas a beleza do filme não se pauta apenas no amor quase impossível deles.  É isso que pretendo mostrar nesta breve reflexão sobre o filme da Saga Crepúsculo – Amanhecer parte 1. A fã incondicional da Saga, agora, sai de cena para dar lugar ao olhar crítico da pequena filósofa.



A Saga Crepúsculo-Amanhecer parte 1 superou as minhas expectativas. Ouso dizer que para mim, este foi o melhor filme até agora. Para tanto, irei destacar alguns pontos que reforçam essa minha afirmativa.

1. A divisão do livro em duas partes - Para começar a minha análise crítica, destaco a divisão da obra Amanhecer em duas partes para a película. Foi uma sacada de mestre dos diretores e dos produtores. Claro que essa estratégia foi muito mais pelo valor milionário que a franquia vai proporcionar do que qualquer outra coisa, mas também foi por saber que Amanhecer condensa elementos consistentes abordados nos demais filmes, essenciais ao desenrolar de toda a trama, que apenas um único filme poderia comprometer e muito a originalidade da obra e o seu desfecho. O livro Amanhecer é rico em detalhes, aliás, todos os são. Mas o seu diferencial esta na divisão do livro em dois momentos decisivos para o desenrolar da história: 1. o Nascimento da híbrida Reneesme; 2. E o renascimento de Bella, agora como vampira. O primeiro narrado pelo lobo Jacob e o segundo pela humana Bella. O filme se mostrou fiel a esses detalhes e isso foi um bom começo.
  
2.  O evento mais esperado do ano: O casamento de Edward e Bella – O momento mais esperado por todos foi de muita emoção tanto para o público quanto para o elenco, isso podia ser percebido no transcorrer das cenas do casamento. Foi muito bom ver os preparativos do casamento e sua realização que teve como cenário paisagístico um ambiente natural propicio aos noivos que transbordavam felicidade, bem como todos os presentes. A beleza estética do filme não deixou passar nada, os arranjos que caíam do alto formavam uma espécie de tenda para proteger a família Cullen do sol, pois o casamento tinha que acontecer num dia ensolarado. Mas, o detalhe mais importante foi identificar em meio aos convidados, a presença daquela que jamais poderia deixar de comparecer ao tão falado casamento: a escritora da obra Stephenie Meyer. Parecia bastante feliz, mas por que não estaria? Ela tem milhões de motivos para comemorar, o sucesso estrondoso dos seus livros e a materialização destes para a película. A estética e a preservação cultural da paisagem local foram de muito bom tom e deram vida as primeiras cenas do filme.

3.  A tão esperada lua-de-mel de Edward e Bella – Muito se especulou sobre as cenas da lua-de-mel dos dois. O público queria ver cenas picantes entre os personagens, que desde o principio mantiveram sua inocência como descrita nos livros. Na verdade esse momento não teve nada de excepcional, foi totalmente previsível, pois foi supervisionado de perto pela escritora da trama, que temia a inserção de elementos picantes a cena, e que estes pudessem comprometer a postura inocente dos seus personagens. Stephenie Meyer queria que a cena fosse fiel ao livro, e foi. Com exceção dos momentos de descontração do vampiro Edward, raros desde o inicio da Saga, e de uma Bella mais ousada e sensual. Penso que preservar esse momento foi uma decisão inteligente da escritora com os diretores. A descoberta da sensualidade e da sexualidade entre os personagens foi muito saudável e bonito de se vê. A manifestação do amor na sua forma física traduziu uma questão própria do humano, o desejo. Mas se é uma questão meramente humana como traduzir o desejo de Edward se ele é um vampiro e não humano? Essa é uma das temáticas que mais me fascina na Saga. A todo instante as questões que dizem respeito à humanidade são manifestadas pelo vampiro Edward que senti e deseja como se humano fosse. Por que será? Talvez, seja porque ele possua mais humanidade do que qualquer humano, penso eu.

 4. A trilha sonora do filme - Foi uma das surpresas do filme. Ouso a chamar esse momento surpreendente de momento renascentista, pois os sonoplastas retomaram as músicas que compuseram a trilha dos demais filmes. E não fomos furtado de ouvir, no momento em que Edward e Bella faziam os votos de casamento, a música, “Bird, American Mouth”, a mesma  que os embalou no final do primeiro filme selando o amor eterno dos dois. Excelente sacada da sonoplastia, que ao trazer à tona tais músicas, nos proporcionou a visualização, em fração de segundos, da dinâmica evolutiva dos personagens do inicio da Saga até o presente momento. As músicas A Thousand Years (Christina Perri) e Turning page (Sleeping at last), se encarregaram de descrever todo sentimento do vampiro pela sua amada mortal, retratando os seus 100 anos de agonia até finalmente encontrá-la. Ambas as músicas traduzem toda trajetória percorrida por Edward para ter Bella em seus braços e amá-la por toda eternidade. Ah! esperança... Nada é mais próprio do humano do que a esperança. Novamente uma perspectiva humana se manifesta através dos sentimentos do lendário Edward. A esperança e a crença de que um dia encontraria a sua amada foi o que justificaram a sua existência. Nada o fez mais forte que o coração frágil de Bella. O interessante dessas canções é que elas trazem em sua letras trechos de falas do personagens Edward proferidas ao longo da Saga. Vocês devem estar se perguntando como é que percebi tudo isso em uma música literalmente em inglês? Essa é uma das vantagens de se assistir a filmes legendados, não se fica totalmente analfabeto da língua inglesa...

 5. A originalidade da narrativa – Aqui vai a minha mais profunda análise. Quero destacar a ousadia e a proeza dos roteiristas que souberam como ninguém transformar uma simples narrativa em diálogos eloquentes e consistentes. Como comentei anteriormente uma parte do livro Amanhecer é narrada por Jacob e a outra por Bella. Isso por vezes chega cansar quem esta lendo e é um tanto enfadonho. Mas, a estratégia dos roteiristas em transformar essa narrativa simples, por vezes densa em diálogos crescentes, criativos e de conteúdos fortes, enriqueceu e muito a trama, o que me fez conferir a ela, o status de melhor conteúdo explorado até agora, preservando assim, a originalidade dos livros. A maestria e concretude das palavras proferidas aliadas as performances dos atores deram ao filme um diferencial excepcional.

6. A surpresa do personagem Jacob – Confesso que foi a minha mais difícil análise. Falar sobre o personagem Jacob que passou os três filmes, só tirando a camisa, exibindo seu lindo peitoral e se mostrando imaturo ao longo da Saga. Foi a tarefa mais espinhosa que tive de fazer. Pensei que ele estaria fadado a este estigma para sempre. Mas, aí veio a surpresa! O ator Taylor Lautner finalmente pôde mostrar a que veio. Foi dele a maior parte dos diálogos eloquentes e consistentes e não poderia deixar de sê-lo, já que este é o narrador de uma das partes do livro. Mas o diferencial de Jacob não se firmou apenas aí. Veio na sua postura, desta vez, mais centrada capaz de defender até seu pior inimigo, os vampiros da família Cullen em prol de um bem maior, Bella. Vimos um Jacob melhorado, maduro, sem aquele ar sínico e irônico dos três últimos filmes e disposto a renunciar à Bella pela primeira vez. A carga emocional transferida ao personagem através dos diálogos fez dele, o personagem de maior destaque no Amanhecer parte 1, penso que foi justo e mais uma vez parabenizo os roteiristas que souberam valorizar como ninguém a importância do personagem para a história, fazendo dele uma peça chave ao desenrolar da trama, acabando de vez com o estigma de apenas um corpo belo e bem definido. Ao rebelar-se contra seu próprio clã, os dos lobisomens, Jacob declara sua maior idade e se mostra maduro quando não mais aceitar as ordens do Lobo Alfa, chefe da matilha, decidindo por si mesmo que é hora de fazer a coisa certa. Ao fazer isso, o personagem projeta-se a uma perspectiva ética e moral antes não alcançada. Jacob  agora sai em defesa da vida de Bella e de seu filho, bem como da vida dos Cullen, seus maiores inimigos.  Esta é outra temática bastante interessante da Saga. "O rito de passagem da fase infantil para a fase adulta", o momento de abandonar a criança que existe dentro de você para poder então, assumir responsabilidades, fazer escolhas. Esse momento foi vivenciado por Jacob com muito sofrimento. Com a chegada da fase adulta, chegaram também às questões existenciais, os conflitos próprios desta idade tomam proporções maiores, as disputas, as perdas, as conquistas e as escolhas que definem quem verdadeiramente somos tudo isso é vivenciado pelo nosso querido lobo em seu rito de passagem, e embora ele preserve sua humanidade, não consegue lidar muito bem com suas escolhas. Na verdade não é o amor por Bella que o move e o faz descobrir quem ele é de verdade, mas sim, a disputa com Edward, seu maior inimigo, essa disputa o estimula. É no território inimigo do não humano que a humanidade de Jacob se manifesta. Essa temática é a minha preferida

7.  O embate entre os clãs – Agora visto de forma mais visível. A disputa de interesses entre os clãs dos lobisomens e dos vampiros torna-se o momento de maior tensão no filme. Nos três últimos filmes, vimos que entre os clãs existe um acordo pacífico de convivência. Eles encontraram nas diferenças um meio termo de uma convivência possível num território de rivalidades. Mas no Amanhecer esse meio termo é ameaçado pela gravidez de Bella. Os vampiros buscam proteger a humanidade da personagem e convencê-la a não ter o bebê que a esta matando, tudo isso com a ajuda de Jacob. Já os lobisomens resolvem, neste momento, ignorar a humanidade da heroína em prol de algo maior: a raça humana. Eles acreditam que a escolha de Bella, em ter o bebê, pode ser uma ameaça a humanidade. Está estabelecido então, o conflito de interesses. Qual será o destino da convivência pacífica agora? A possibilidade da quebra do acordo não invalida a perspectiva ética e moral entre os clãs. Os interesses agora são distintos, e embora estejam divergindo em alguns pontos, ambos os clãs não comprometem seus princípios, dentro daquilo que consideram ser o certo. Do lado dos vampiros, a preservação da humanidade de Bella, do lado dos lobisomens a preservação da raça humana, é necessário que haja um novo meio termo que faça com que os pontos convirjam novamente, e que possa por fim ao conflito, ora estabelecido. Esse meio termo chegará com a intrigante personagem Reneesme filha de Edward e Bella. A retomada dos valores morais é o ápice da Saga. A ética e a moral fazem parte de um acordo de convivência entre humanos e não-humanos, mas são os não-humanos (vampiros) que dão um show de dignidade, decência e moralidade, perspectivas que não fazem parte da sua natureza, mas que eles têm como exemplo a ser seguido.

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8. O “Imprinting de Jacob” - Quem diria que a híbrida (vampira - humana) Reneesme seria o ponto convergente da pacificidade entre os clãs. É com ela que Jacob acabará tendo o Imprinting. Imprinting é uma espécie de amor à primeira vista, acontece quando um lobisomem encontra sua "alma gêmea". Coisa rara de acontecer, mas quando ocorre é mais forte que tudo. O lobisomem que sofre isso não consegue sair de perto da pessoa com quem teve tal ligação. Isso acontece com Jacob quando vê Reneesme filha de Bella e Edward. Esse sentimento o levará a querer proteger a sua amada e por ela será capaz de tudo até mesmo de romper com sua matilha. Jacob, a priori, tenta matá-la por acreditar que ela foi a causadora da morte de Bella, quem ele pensa ser o amor de sua vida. Mas, ao ir ao encontro da pequena híbrida (vampira - humana), e ao olhar-lhe nos olhos, Jacob é acometido por um sentimento mais forte que tudo, nesse momento ele passa a entender de uma vez por todas o significado de se ter um Imprinting. Tomado por tal sentimento, Jacob se rende aos encantos de Reneesme e será de agora em diante, o seu protetor. É esse o meio termo do qual, ambos os clãs necessitavam para por fim ao conflito. Ao ter o Imprinting, Jacob restabelece a convivência pacífica entre os clãs, e daqui para frente nenhum integrante da matilha poderá atentar contra a vida de sua escolhida (a matilha não pode tocar na pessoa alvo do Imprinting de um lobo, esta é a sua lei máxima) e da família dela, neste caso os Cullen. Ele ficará ao lado de sua protegida e a defenderá a todo custo. No Amanhecer parte 2, Jacob se unirá novamente aos Cullen para defender sua amada do clã vampiresco dos Volturi, que não acreditam que Reneesme foi gerada por Edward e Bella, mas sim transformada em vampira por eles, o que não é permitido segundo a lei daquele clã. É proibido a qualquer vampiro transformar uma criança, pois esta não é capaz de guardar em segredo a sua verdadeira natureza. És que se ergue um novo embate, só que desta vez o clã adversário é os dos Volturi. Lobos e Vampiros unidos em prol de um bem comum: Reneesme. A perspectiva ética e moral, agora, no segundo filme atinge seu ponto mais alto, os interesses convergem para algo comum aos dois clãs, preservar a vida da híbrida (vampira - humana) Reneesme. A união dos clãs se dará pelo amor e não mais pela disputa, o território inimigo, torna-se palco de um banquete onde o amor será a maior de todas as manifestações humanas e não-humanas.


Mas o que é que a Saga Crepúsculo  tem de interessante?

Muitas pessoas me perguntam o que tem de tão especial na Saga Crepúsculo, e o que me faz uma professora de filosofia gostar tanto dela já que os personagens principais são figuras lendárias saídas do imaginário humano. Eu respondo que o meu gostar do filme (mais da literatura), vai além do que está posto. Gosto da Saga Crepúsculo, classificada como temática juvenil, tão somente por nos remeter a aprendizados jamais vistos, analisados por outra ótica, geralmente na perspectiva de criaturas que não fazem parte da nossa realidade. Tal aprendizado,  é promovido por criaturas que não têm em sua natureza o dever de professar certos princípios que via de regras, são próprios da natureza humana. Vemos a todo o momento na Saga Crepúsculo, os vampiros e os lobisomens manifestarem posturas éticas e morais, não só ao que dizem respeito ao acordo firmado entre eles, mas também ao que diz respeito à preservação da raça humana. O esperado é que tais posturas devessem ser professadas por nós seres humanos, a priori seres existentes, possuidores de um conhecimento inato de valores morais, mas que insistimos em deixá-los adormecidos dentro de nós. Diante do exposto, só podemos concluir que se o código de conduta está ao lado daqueles que não deveriam professá-los, então, logo, esses códigos não existem ou estão extintos, uma vez que estes não são ineretentes a sua natureza. Relacionar valores morais com seres saídos do imaginário humano, tidos como inexistentes, equivale dizer que tais valores também não existam.

Outra perspectiva trazida pela Saga é a ideia do mito do amor romântica na figura do vampiro Edward, que é extremante romântico, fora de moda, mas que a toda hora dá exemplo do amor a ser seguido. Edward desde o primeiro filme foi mal interpretado pela sua forma libertadora de amar Bella. É na figura do vampiro  que o amor atinge seu ápice. Um amor que renuncia se preciso, um amor que não se envergonha por estar fora de moda, que não se importa com o que os outros pensam. Um amor libertador que devolve a pessoa a ela mesma o tempo todo. O personagem Edward nos ensina a verdadeira forma de amar e por isso é a todo instante ridicularizado. Por não sermos mais românticos,  achamos sua forma de amar démodé, o romantismo caiu em desuso nos dias de hoje por falta de quem o ponha em prática. O amor de Edward por Bella é considerado para os desavisados como “O mito do amor romântico” representa aquilo que se deseja, mas que nunca é alcançado. Mas uma vez a perspectiva do sentimento humano, agora o amor, na figura de um ser inexistente, lendário, nos levando a concluir, mais uma vez, a sua inexistência ou porque não dizer sua extinção, pois nós seres existentes, possíveis mantenedores de tal sentimento, não nos permitimos mais amarmos da forma romântica do personagem em questão. Isto posto, só nos resta decretar então, a extinção e o esfacelamento do amor, reflexo de uma sociedade extremamente liquida, fragilizada por relações baseadas em momentos de prazeres instantâneos, quiçá fugaz. Enquanto, somente buscarmos a liquidez momentânea dos nossos afetos, a perspectiva do amor, aqui professado pelo vampirinho camarada, continuará pautada nos alicerces do mito do amor platônico.

Mas sabe por que eu gosto mesmo da saga Crepúsculo? Porque ela retomar a minha humanidade por vezes negligenciada, e pela ideia despretensiosa da escritora Stephenie Meyer em trazer à tona temas próprios da nossa natureza humana, vistas por uma ótica nada humana, nos permitindo, assim uma reflexão profunda acerca da prática daquilo que via de regras nos pertence naturalmente. Ao transferir princípios meramente humanos a criaturas do imaginário humano, a referida escritora busca, acredito eu, despertar em nós a necessidade de retomá-los para que possamos, um dia,  sermos provedores de uma convivência pacífica entre seres da mesma raça, porém em territórios diferentes. As diferenças existem isto é fato. Não há entre nós clãs inexistentes, mas existe um clã evidente, da raça humana. Mas insistimos na disputa sem sentido, e nos tornamos uns inimigos dos outros dentro desse clã. Fragilizamos os nossos sentimentos e os elevamos ao patamar de platônico, sentir é vergonhoso, inalcançável, ainda mais dessa forma proposta pela figura lendária do vampiro Edward. Ninguém quer ser mais o último romântico, por medo de cair no ridículo e se expor de forma humilhante. Quem diria que o amor fosse se tornar sinônimo de humilhação! Fragilizado os laços, sejam eles, amigáveis, amorosos, sociáveis, cai-se naquilo que chamo de desuso e por fim o inevitável acontece... A decretação da falência, por completo de tais sentimentos, tudo pela falta de um meio termo que pacifique a nossa convivência meramente humana. Vendo por essa ótica percebo que estamos longe do proposto pelos clãs (inexistentes) do filme. Mas, como bem disse um personagem do filme “O dia em que a terra parou”,  em um breve diálogo: 'Nós seres humanos, só aprendemos quando estamos no precipício'. Quer saber? Nós já chegamos nele, mas onde foi parar o aprendizado!

Eu acredito que um dia, seremos capazes de abarcar os ensinamentos contidos na obra da escritora Stephenie Meyer e compreender que é nas diferenças que crescemos. Isso aconteceu com Jacob e Edward que sempre margearam o limite do acordo, sem nunca terem comprometido suas posturas. Com o acordo entre os clãs eles puderam amadurecer ao longo da Saga, nenhum dos dois é o mesmo desde então. A convivência pacífica entre os diferentes é possível desde que respeitemos nossos limites e os dos outros. Acredito também no amor ideal dentro de uma perspectiva do que é real trazido pelo filme. O que acontece é que confundimos ideal com perfeição, o ideal é possível desde que visualizemos os limites uns dos outros e os aceitemos, então o ideal sai da ideia e se trona real. Diferente da perfeição, que não admite a visualização de um fator limitador, pelo contrário, só permite a contemplação do que é perfeito, sem deformidade.  A personagem Bella escolheu o desafiou de tornar o ideal em real, optou por Edward, corpo franzino, pálido, altamente maduro, e extremamente romântico (fora de moda), em detrimento do corpinho bem definido, da imaturidade e da forma egoísta de amar de Jacob. É o desejo tomando forma no campo da impossibilidade (no campo da ideia).

Se você aprendeu com Edward que a forma certa de amar é aquela em que libertamos o outro mesmo quando isso nos doa, que amar é devolução do ser a ele mesmo o tempo todo, que vale a pena manter intacta certas regras (valores morais), então experimente fazer disso algo concreto, existente, consistente e uma constante em sua vida, talvez, quem sabe um dia, você seja surpreendido com um sentimento maior e mais forte que tudo chamado de “Imprinting”.

A Saga Crepúsculo é um misto de situações que se bem compreendidos podemos, dela tirar as melhores lições. A Saga está longe de ser um conto meramente juvenil, é mais um manual de possibilidades desafiando a impossibilidade, pois aborda temas existenciais mesclados aos imaginários, sem, contudo desprezar o perecível. O rito de passagem da infância para a fase adulta, as disputas, as conquistas, as perdas, a descoberta do amor, o poder como forma de opressão, os valores morais, tudo condensado no território das escolhas humanas. Fazer escolhas também é um rito de passagem, ao fazê-las toda sua vida será transformada, quer seja com coisas boas ou ruins, tudo isso faz parte de um aprendizado, é o amadurecimento tomando seu lugar. A escolha é uma via dupla, não tem como fazê-la sem que tenhamos uma consequência, portanto faça escolhas com as quais possa conviver. Essa é a maior lição que tirei da Saga Crepúsculo.

Bem essas foram as minhas considerações acerca do novo filme da Saga, espero que tenham gostado dos comentários. Para aqueles que ainda não assistiram ao filme dois conselhos: 1. Assista somente a filmes legendados, pode ser chato, mas, traduzem melhor sua essência; 2. Nunca assista a um filme sem antes se perguntar o que ele pretende lhe revelar, para isso utilize a dúvida metódica do filósofo Descartes, divida seus questionamentos em quantas partes forem necessárias, demore seu olhar naquilo que é importante compreender na película, busque o pano de fundo e observe seu desenrolar, preste atenção nos diálogos às vezes em 15 minutos de fala traduz-se toda uma trama e por fim, esqueça toda a tecnologia que o filme te oferece, desnude-o, declare sua nudez, enxergue  além daquilo que está posto, deixe de ser um simples expectador para ser um observador. Lembrem-se, os filmes atuais são os maiores veículos de fabricação de massa, fazedores de senso comum. Não leve para o templo do seu saber esse senso comum, não permita que a visão unilateral de um conhecimento fabricado tome conta de você. É isso...
Até a próxima!
Solares
"Não despreze nenhuma forma de conhecimento, ainda que lhe pareça fútil e débil. São nas perspectivas fúteis e débeis que pedras preciosas costumam se esconder. Nada é tão imbecil que não contenha em si um elemento inato pronto para ser despertado e apreendido."
Solares

"A infância  não vai do nascimento até certa idade, e a certa altura a criança está crescida, deixando de lado as coisas de criança. A infância é o reino onde ninguém morre."  (Extraído do livro amanhecer)
Edna St. Vincent Millay

quarta-feira, outubro 26, 2011

A Deusa vencida... Carta aos meus alunos


No inicio deste ano eu relatei aqui, em meu BLOG, a minha alegria em retornar a lecionar Filosofia, embora já tivesse resolvido não mais fazê-lo.

Desde que me formei em Filosofia, tive bem definido em minha mente que faria dela algo prazeroso, estimulante e diferente. Coisas que normalmente não são atribuídos a tal disciplina. Desejei muito mudar a utopia da educação que aí foi postula, onde uma avaliação padrão restrita e fechada define o potencial de um aluno. Tentei envolvê-los com a disciplina e propus fazê-los mergulhar no universo dos por quês e buscar encontrar-se na aventura do conhecer, alguns conseguiram alcançar tal proposta, mas a maioria não. Preferiram continuar na inércia promovida por uma MATRIX.

Por que MATRIX? Porque MATRIX é o mundo do senso comum, da irrealidade, ou seja, é o mundo em que vivemos. Um  mundo simulado pela aparência do que deveríamos ser e não do que somos verdadeiramente.Somos controlados e levados a fazer as  mesmas coisas sempre do mesmo jeito e nos acostumamos a elas, e romper com esses padrões convencionais requer força de vontade.  Sei o quanto é difícil romper com o senso comum, mas também ninguém nos prometeu que seria fácil.

O que vi durante esses 08 (oito) meses de retorno a sala de aula? Que não adianta o quanto eu sonhe, que não adiante o quanto eu desejo, que não adianta o quanto eu queira... Se o alunado não quiser tudo isso, então tudo permanece como sempre foi. Sei que não foi de um todo ruim, porque mentes foram alcançadas, pessoas quiseram ser modificados, melhor, estimulados e hoje não querem mais nada que não seja aquilo que projetaram para si... Para essas mentes brilhantes... Muito obrigada! Vocês tornaram esses meses significativos, embora me sinta derrotada. Vocês me fizeram lembrar o meu Mestre, amigo e inesquecível professor, Jaime (falecido): Ele me disse que não importa o quão cansada eu me sinta, o quão exaustivo e frustrante pareçam as coisas a minha volta, eu jamais desista de quem realmente eu sou e do que quero faz, porque embora muitos não queiram se apenas um eu consegui atingir, então esse um terá valido a pena... E eu sou filósofa de alma e coração, foi assim que Jaime me ensinou a ser e quero continuar sendo porque é isso que me faz feliz, apesar de eu só ter entendido isso no final do curso na faculdade. Meu professor Jaime idealizou a filosofia para mim, ele quis por mim, ele desejou por mim e no seu leito de morte o seu pedido “de que eu nunca desistisse da filosofia” me fez querer o seu sonho... Que acabou por se tornar um presente para mim, digo o melhor de todos os presentes depois do da minha existência. A sua partida não foi em vão, uma pessoa foi alcançada... Eu... E tenho certeza que valeu a pena para ele (Jaime). Posso não ser exatamente como ele projetou, pois isso é impossível as pessoas são o que são, mas cada vez que adentro a uma sala de aula, parte do que sou se mistura a parte do que ele foi, e da união do EU (Solares) e do TU (Jaime) nasce uma terceira pessoa, o NÓS, convidado a nascer sempre naquele ambiente educacional, onde experiências serão compartilhadas.

Mas agora, por hora, eu me sinto assim como nas palavras proferidas acima pelo meu professor... Frustrada... A frustração talvez traduza melhor o que sinto hoje, foi como nadar, nadar e morrer na praia. O desinteresse, a mesmice e o descaso de alguns alunos em detrimento ao conhecimento é tão grande que me fizeram repensar com relação à educação que aí está: Será que é a educação que é utópica ou sou eu que sou? Evidenciei que estou sozinha nesta luta, tentei fazer com que vocês, meus alunos comprassem essa briga junto comigo, para quem sabe um dia... Um dia mudássemos a educação que resolveram nos dar. Mas ao mesmo tempo em que me sinto frustrada, me sinto também aliviada, pois tenho consciência que fiz tudo que pude e talvez o que não pude para que essa geração, para qual hoje leciono, vislumbrasse a realidade. Mas, sair da MATRIX ainda  requer ousadia, requer conhecimento, melhor, requer sabedoria. Sair da MATRIX é o maior de todos os desafios que vocês terão que enfrentar. É uma escolha sem volta, uma vez escolhido o saber conquistado, você nunca mais deixará se aprisionar. A escolha... Sempre ela é quem determina as nossas ações, e esta eu não posso fazer por vocês, apesar de ter insistido comigo que poderia.  Neste momentto a Deusa saiu vencida, o senso comum prevaleceu!  Eu decidi que vou respeitar a escolha de vocês, e só me resta desejá-los boa sorte nas adversidades da vida.

Quanto a mim só posso dizer que perdi a batalha, mas jamais a guerra, talvez eu esteja no lugar errado, na hora errada... Talvez não sejam vocês os necessitados da minha retórica... Dos meus banquetes filosóficos... Foi difícil reconhecer a derrota, mas reconheço ainda, que ela é resultado da minha prepotência em querer tudo para vocês, em pensar por vocês sem ao menos ter me preocupado com o que de fato queriam, pensei estar proporcionando-lhes o bem, mas que bem? O bem é um ponto de vista de quem o vê. Então, visto por esse ângulo, ambos estamos com a verdade.

O reconhecimento da minha derrota não implica em um total fracasso, mais que isso, reconhecer a derrota equivale dizer que houve glória no fracasso. Parece contraditório isso não? Mas acabei de ler o livro de PE. Fábio que parece ter sido escrito para mim e lá tem um capítulo que fala sobre “o reconhecimento da perda”. É nele que me inspiro para falar sobre esse momento meu. “Não saber perder é uma forma de perder sempre”. Diz PE. Fábio.

E foi aí, no momento em que me enxerguei nas palavras do sábio Padre, que refiz meu pensamento: Fui derrotada, mas existe glória no meu fracasso!


Quem diria que um dia eu fosse pensar assim, mas para perceber glória no fracasso, primeiro eu tenho que declarar ter perdido, e foi isso que fiz, declarei publicamente a nudez do meu Rei! Que por muito tempo imaginei-o vestido.  O pódio é da educação do senso comum, e o meu banquete filosófico se arrastou para chegar à linha de chegada, em último lugar. É hora de organizar o luto! Em meio às palavras sensatas de Padre Fábio de Melo em seu livro “Tempo de Esperas”, reconheço a gloria de ter fracassado no que diz respeito ao meu alunado, desnudada, agora busco apreender com os meus erros e conquistar um novo pódio, desta vez, demorando mais meu olhar naquele que de fato importa e encontrar na inutilidade das coisas a sua verdadeira utilidade, isso é ser sábio!

Quero agradecer àqueles que tornaram meu fracasso glorioso, aos que se aventuraram comigo nos por quês do banquete filosófico, que sonharam em dar a disciplina de filosofia o seu status merecido, e que acima de tudo apreenderam a amá-la da forma que eu a amo, meu muito obrigado! Não citarei nomes, pois temo em ser injusta  e esquecer de alguém, mas tenho que reconhecer o empenho e a amizade de três alunos que foram fatalmente atingidas pelo meu amor a filosofia e que estiveram o tempo todo me apoiando quando me declarei derrotada. Meu muito obrigado  Maíra, Rafaela e Rodrigo, futuros filósofos e amigos! Valeu

“Estou aproveitando a nudez do meu ser para dar a ele o abrigo de que ele realmente necessita.” (Parafraseando com PE. Fábio)
                                            
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